sábado, 1 de outubro de 2011

As luzes da cidade insone














A cidade não pára, a noite não passa
e o coração segue sentindo o frio de uma saudade que não cura.
A garganta fecha, dói pra falar, dói pra engolir.
Alguma coisa aqui dentro do peito,
querendo explodir.
Do passado presente, da nostalgia recente.
Uma contradição em mim, um sintoma, um sinal...
Que há então de ser do amor
que faz da gente um paciente da gente mesmo?
A inspiração vem sempre nos momentos solitários.
Nos dias de chuva e na distância de tudo, e de mim, de alguém que fui e do que sou hoje.
As trovoadas e relâmpagos dessa noite acompanham a chuva pra lembrar que mesmo na tristeza,
quando a chuva vai caindo correndo pelos olhos devagar
é preciso luz, momentos de clareza, pra além de só amar e amar
também abrir espaço pra olhar pra mim.
Que tenho sentido nos últimos tempos que faz meu corpo trazer a tona tanta inflamação e dor?
Será medo?
Me sinto tão canceriana agora...
Um caranguejo dificilmente consegue se desapegar de alguém
ou de algo que lhe remeta à uma emoção já sentida.
Um canceriano sem sua casa e seus amores é como uma concha vazia na areia.
Se perde na nostalgia e no eco da sua própria solidão.
Sempre fui uma pessoa assim, meio solitária.
Fico muito tempo comigo mesma, mergulhada nos meus pensamentos...
Choro, rio, observo.
E me questiono muito também. às vezes tanto que as interrogações se tornam feridas na garganta.
As cicatrizes no coração do canceriano são feridas abertas pra vida inteira.
Nunca se fecham.
Sou um caranguejo que convive bem com a nostalgia, preciso dela pra poetizar meu mundo.
Minhas palavras nada seriam se não fosse essa solitude rebelde, que insiste em me acompanhar.
Meu blog estava assim meio abandonado, feito eu.
Me abandonei de mim por um tempo.
Precisava introjetar as mudanças, aceitar os novos rumos.
Tenho assim esse jeito meio esporádico de ser, de dar as caras no mundo
só quando a inspiração me visita.
Ás luzes da cidade continuam acesas, mas as velas e os rechauds
do meu quarto à meia luz vão se apagando...
Até o próximo encontro com a caneta! 

3 comentários:

Maria de Lourdes disse...

Linda!!!! que vc é poeta eu já sabia.....bjs te amo filha e as mudanças estão ocorrendo mas para melhor.

Anônimo disse...

Você mesma encontrou a chave do segredo da sabedoria Petit."Introjetar as mudanças, aceitar os novos rumos." Apenas os sábios e os fortes são capazes...
Amor, sempre.
Dani

◄CoNsThAnCiA► disse...

Lindo, sincero e verdadeiro. Passeando por aí... cheguei aqui. Agora já trouxe minha rede para, vez ou outra, sentar tranquila e apreciar a bela pintura de versos que suas palavras desenham. Abração! ;D